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riscos_e_rabiscos

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A Primeira Vez

                                      

 

Hoje foi a minha primeira vez. Foi inesperado. Não estava nada à espera. E nunca me passou pela cabeça que acontecesse assim.

 

Terminei mais um dia de trabalho sem sobressaltos. Os miúdos estavam iguais a si mesmos, nada de estranhar. Ri-me e brinquei com as minhas colegas, fiquei a saber mais uns pormenores das cobras mordisquentas lá do colégio e começo a apreender a técnica de jogar com um pau de dois bicos.

 

Saí do colégio e coloquei o meu melhor sorriso nos lábios. Afinal era hora dos pais irem buscar os meninos e eu tenho de mostrar aquilo que sou: simpática.

Além disso, é preciso agradar àqueles pais com muito bom aspecto.

 

Vim para casa embalada pelo balançar do autocarro e pelos meus pensamentos. Adoro observar as pessoas que vão entrando. Observar o comportamento, a maneira de estar, de vestir, a conversa…

 

E foi no meio dos meus devaneios que cheguei ao meu destino. Desci da camioneta, sentei-me e esperei.

 

Esperei com ansiedade que ele viesse. Deambulei os meus olhos pelas pessoas e carros que passavam, olhei para o relógio e esperei. Estava atrasado… comecei a pensar coisas e a ficar chateada.

 

Finalmente, vi-o aproximar-se ao longe. Esperei por ele com um sorriso mal disfarçado nos lábios e de braços abertos. Chegou-se ao pé de mim, afagou-me os cabelos em andamento, parando mais à frente. À minha espera. Adorei-te por isso.

 

Foi então que tudo aconteceu. Nunca tinha experimentado antes. Hesitei bastante, não sabia se deveria ir em frente ou não. Ele compreendeu e esperou pacientemente por mim. A sua espera incentivou-me a prosseguir.

 

O acto em si, consumou-se rapidamente. Numa fracção de segundo, agarrei-me a ele, ele acolheu-me e seguimos em frente. Nunca o tinha feito por trás mas gostei…

Foi diferente. Senti-me mais à vontade e irreverente.

 

Ainda bem que o autocarro parou para me deixar entrar por trás senão a esta hora ainda estaria na paragem! Pois… já sei que essas mentes pensaram em tudo menos na minha entrada pela porta traseira do autocarro.

Foi a minha primeira vez e gostei. Não sabem já que sou uma miúda muito certinha?!?

 

 

Lágrimas de Crocodilo

                      

Antes de mais quero dizer que fiz a experiência. Sim, a experiência do banco, remember?

 

Sentei-me no tal banco e preparei-me para apanhar a maior vergonha da minha vida, caso o banco tivesse alguma maldição e eu desatasse a falar sozinha! Até comecei a mascar uma pastilha… Just in case!

Mas lamento informar que:

 

1º - O banco não tem nada de anormal e nem maldição nenhuma;

2º - Não apanhei a maior vergonha da minha vida… ainda!

3º - Ainda não estou louca pois fui todo o caminho de boca fechada. Só de vez em quando é que a abria para fazer um balãozinho com a pastilha. Mas sem estalo! Sou muito fina!

 

Vocês não sei, mas eu estou farta deste vento. Nem é da chuva. É mesmo desta ventania que faz tudo andar num redemoinho.

 

Quando saí do colégio, levei com uma rabanada de vento tão grande que até fui aos ziguezagues rua abaixo. E mais… (agora vou revelar um pormenor pessoal muito pudibundo…) como se uma rabanada de vento não bastasse, tive levar com duas! E a segunda tinha brinde: uns pózinhos!

 

Ora eu que até sou uma moça que usa (aqui vai o pormenor pudibundo… tcharam!) auxiliares visuais de encaixe, vulgos lentes de contacto, gramei com aquele areal todo na minha vista que até fiquei a ver a praia ao fundo da rua!!!

 

Mas o pior, pior, pior, é que a areia entre a lente e o olho é a coisa mais horrível do mundo. E a seguir vem a choradeira total. Eu, ali, na paragem lavada em lágrimas e com os olhos vermelhíssimos! Deviam pensar que eu tinha apanhado um grande desgosto! Chorei até mais não. E depois nem conseguia abrir os olhos.

 

Já só pensava “bolas! Vou perder a camioneta porque não a vejo… não consigo abrir os olhos…!!!” Argh!

Mas não perdi. Aquela choradeira acalmou (mas os olhos deviam estar lindos porque estava toda a gente a olhar para mim) e eu segui o meu caminho a ler os catálogos e prospectos que o francês de olhos azuis penetrantes da Macmillan me tinha dado. Ai que vidinha!